Deixo-me ir numa viagem tão só quanto aquilo que sou, carregando tudo aquilo que amo. Talvez seja loucura… mas sinto que preciso ir.
Tenho medo, mas esse medo só me faz seguir em frente.
Todos os passos que damos, sozinhos, sempre são mais penosos. Acompanhados, tudo fica mais fácil. Mas nada que vale realmente a pena é fácil, por isso preciso fazer isto assim, sozinho.
De que valem as histórias se não forem partilhadas? De que valem as linhas que cruzamos ou as regras que quebramos se não existir por trás uma razão?
Quase tudo se resume ao amor. E o amor, o amor tem tantas formas! Alguém que nos faz sentir muito quando nos sentimos nada. E ao nosso redor tantos que dizem conhecer-nos quando nada sabem de nós. Não conhecem a história, não sabem o que nos acelera o bater do peito, o que nos causa borboletas no estômago... Os amigos que nos tomam como abençoados e nem sempre sabem ouvir para saber a confusão dentro de nós porque não têm tempo para nos conhecer de verdade.
Sim, com certeza fomos feitos para alguém.
E o amor ali perto, que sabe que um sorriso esconde as palavras que não se dizem, que ao contrário do mundo nos conhece um pouquinho mais.
com muito sacrifício com muito suor com muitas lágrimas com muito riso com muito sangue com muitas frustrações com muita dor com muito espírito com muita camaradagem
mas sobretudo com a certeza de que é isto que quero.
Houve momentos em que pensei que tudo poderia ter sido diferente, que as coisas poderiam ter tomado outro rumo. Gostava de acordar e saber de ti, gostava de me deitar e adormecer com um beijo teu. Aos poucos ia gostando do que se criava, dos laços que se fortaleciam, da simplicidade com que tudo acontecia... Houve momentos em que a dor não me deixava ver. Houve outros em que alegria me cegava. Tudo isto para dizer que, quando somos magoados uma e outra vez, tendemos a retrair-nos. Foi o que fiz.
E hoje... Hoje nem sei bem porque o digo. Talvez seja pura e simplesmente por sentir-te a falta.
Faz tempo que não digo nada. A última vez que o fiz já nem me lembro bem porque foi... Sei que durante todo este tempo muita coisa aconteceu. Muita coisa mudou, outras nem por isso.
Há tanto que quero dizer, mas nem sei sequer se vale a pena fazê-lo.
Costumam dizer-nos que só nos devemos arrepender do que não fizemos, do que não fazemos. Não acho. Se assim não fosse seria dono de uma sabedoria e maestria imensa. E, sinceramente, não sou dotado disso. Tenho alguns traços de humildade que me fazem saber reconhecer que houve coisas que fiz no passado e que me arrependo, e, certamente, haverá coisas que virão de futuro das quais me arrependerei.
Há coisas que queria não ter feito. Outras que queria bastante fazer. Aquela palavra que não saiu. Aquele beijo que não se soltou. Aquele abraço que ficou na frouxidão, que o tempo teimou em enfraquecer.
Hoje nem sei. Sim, queria algo. Nem sei bem o quê. Talvez uma voz doce que me falasse. Um gesto de carinho retribuído. Talvez aquele olhar arrebatador que me fizesse afundar nas teias da paixão. Não sei. Juro que não sei.
Talvez hoje só queira ouvir um "gosto de ti". Palavras simples. Algo inesperado. Só porque sim. Talvez assim conseguisse voar no doce embalo das palavras e adormecer de coração tranquilo e confortado.
Estávamos tão bonitos, mas tão bonitos, que nem o Rouxinol Faduncho resistiu a chamar-nos ao palco para o acompanhar-mos num fadinho. (Há registos disso, pode ser que mais tarde publique.)